stress psicologia do esporte

Desafios, ameaças e estresse no esporte

A única constante em todas as disciplinas do esporte competitivo é a do estresse. Atletas são continuamente colocados sob grandes quantidades de estresse, mas ainda são esperados para realizar um alto nível. Não seria difícil encontrar exemplos de atletas que tenham sido “congelados” ou “sufocados” sob pressão e que não tenham aguentado as altas expectativas. No entanto, ao mesmo tempo, há atletas cujo desempenho não é prejudicado, que são bem-sucedidos, apesar da pressão em torno deles.

Para ajudar a explicar essa diferença, é preciso entender que o estresse não é inerentemente bom nem ruim (Lazarus, 1993), mas como um indivíduo avalia o estresse – como o vê, é isso que faz a diferença. O modelo biopsicossocial de desafio e ameaça (BPSM) (Blascovich, 2008) é uma estrutura que explica como uma pessoa vê o estresse e como ele pode impactar o desempenho.

De acordo com o BPSM, quando nos deparamos com uma situação estressante, uma avaliação ocorre em nosso cérebro, essa avaliação geralmente ocorre sem que você perceba. É o que é conhecido como uma avaliação de recursos de demanda, onde a tarefa em questão (a demanda) é ponderada contra o que percebemos que possuímos (nossos recursos). Para dar um exemplo, a demanda pode ser um jogador de basquete atirando um lance livre em um jogo próximo, e os recursos que ele possui é sua própria habilidade. Psicólogo do Esporte Rio de Janeiro. Se os recursos superam as demandas, entramos no que é conhecido como um estado de desafio, enquanto se as demandas superam os recursos, entramos em um estado de ameaça. Mas o que isso realmente implica?

Quando entramos em um estado de desafio, sentimos que temos os recursos capazes de fazer o trabalho, não importa o quanto seja estressante. Como resultado disso, entramos em um estado cardiovascular muito mais eficiente (garantindo maior fluxo sanguíneo para o cérebro para a tomada de decisões e os músculos para o trabalho), interpretamos nossa ansiedade de forma muito mais positiva e também aumentamos a autoconfiança, todos ajudando nosso desempenho (Moore et al, 2012). No entanto, um estado de ameaça é o oposto, acabamos com um estado cardiovascular muito menos eficiente, interpretamos a ansiedade como pior do que ela é potencialmente e também diminuímos a autoconfiança e o desempenho.

Obviamente, então, atletas e treinadores querem garantir que eles estejam em um estado de desafio o máximo possível, mas há algumas coisas que vale a pena considerar também. Psicólogo do Esporte Rio de Janeiro. Em primeiro lugar, os estados de desafio e ameaça não duram muito, essa avaliação mencionada anteriormente está ocorrendo constantemente à medida que novas informações surgem (Blascovich, 2008). Isso significa que, embora um atleta possa adotar um estado de ameaça em um aspecto do desempenho (tiro de lance livre), ele pode entrar em um estado de desafio em um diferente (ao defender ou driblar). Portanto, está vendo desafios e ameaças não como dois estados separados, mas como extremidades opostas de um espectro, que um atleta atravessará constantemente ao longo de um jogo.

Então como nós promovemos os estados de desafio tanto quanto possível? Se voltarmos um pouco, é tudo sobre a avaliação do recurso de demanda. Portanto, podemos tentar fazer duas coisas, tentar reduzir as demandas da tarefa ou aumentar os recursos percebidos. Vai ser muito difícil tentar reduzir as demandas de uma tarefa ou evento, pois muitas vezes há muito pouco controle sobre elas – então, o melhor caminho seria melhorar os recursos. Uma maneira pode ser através do aumento da prática de habilidades, de modo que o atleta esteja mais confiante de suas próprias habilidades. Outra área crucial é a do apoio social percebido (Hassell et al, 2011), certificando-se de que um atleta está ciente do apoio que o cerca.

Desafio e estados de ameaça nos permitem explicar as diferenças que vemos em atletas que atuam sob pressão. Mais importante, por ter uma compreensão da mecânica por trás disso – significa que podemos começar a projetar e testar intervenções que, esperamos, permitam que os atletas tenham sucesso.Psicólogo do Esporte Rio de Janeiro.

 

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